João Batista Soares da Silva, 66 anos, engenheiro agrônomo, ex-professor da Ufla, advogado formado na primeira turma do UNILAVRAS, duas vezes prefeito de Lavras, começou a se interessar por política no ano de 1968, quando passou a freqüentar o Centro Acadêmico da antiga Escola de Agricultura de Lavras (Esal), que a seu ver foi um choque contra a repressão.

O ex-prefeito de Lavras estudou em Ouro Preto, onde cursou o ensino médio, e entrou para a Esal em 1966, permanecendo envolvido com a política estudantil até 1969. Estreou na vida pública em 1982, quando ocupou o cargo de vice-prefeito na administração do então prefeito Célio de Oliveira, na chapa do PMDB. “O vice naquela época não tinha salário. Como dizia o Jô Soares, pegando no pé do Aureliano, ser vice naquele tempo era como ser maminha de homem, não tinha função”, brinca.
Pelo mesmo PMDB, João Batista e Toninho Marani são eleitos prefeito e vice de Lavras em 1988 com cerca de 510 votos de diferença (1,5%) com relação a candidatura de Leonardo Venerando Pereira (Nadinho) que era uma lenda na política de Lavras. “Foi difícil porque o Nadinho fez em dois anos de mandato o que muitos prefeitos não fizeram em quatro”, diz João Batista.
Destaca como principais conquistas de sua gestão a captação de água do rio Grande pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). “Para que o Presidente Collor autorizasse a execução das obras muitas circunstâncias favoreceram. Contamos com o apoio do Paulo Otávio, da Ana Maria Baeta, do José Celso Gontijo e do Governador Newton Cardoso”, afirma. E construímos uma escola a cada noventa dias na cidade. Além da implantação do “Programa Salve um Cérebro”, que disponibilizava leite de soja gratuito para gestantes até o três anos de idade de seus filhos. Também a construção da Escola Municipal Cristiano de Souza e junto ao Governo Estadual a Escola Estadual Cinira de Carvalho. Ele cita também a modernização dos setores administrativos da prefeitura naquela ocasião, a melhoria das estradas rurais graças o excelente trabalho do Toninho Marani e o primeiro projeto de duplicação da BR 265 até o trevo da BR 381, que para sua tristeza não saiu do papel. O ex-prefeito destaca que ficou frustrado também por não ter realizado a construção do aeroporto e implantado o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) na cidade, que era um sonho.
Voltou à cena política em 1994, como candidato a deputado estadual pelo PDT, onde obteve 14 mil votos, mas, por ironia do destino, ficou de fora da vaga por apenas 36 votos. “Nessa época todos os candidatos a deputado estadual em Lavras se deram mal na disputa porque mudaram de partido”, revela. Disputavam naquele momento Célio de Oliveira, Carlos Alberto Pereira e José Eustáquio (cabeleireiro).
Segundo tempo
João Batista voltou a ocupar o cargo de chefe do Executivo no ano de 1997. Um mandato que classifica como sendo difícil, muito embora com um resultado surpreendente nas urnas. Naquela eleição conseguiu o dobro de votos de seu adversário, o empresário Carlos Alberto Pereira, apoiado por Jussara Menicucci e Célio de Oliveira.
Os pontos altos desta administração ele destaca como sendo a construção do aeroporto e escolas municipais. João Batista destaca como fatores negativos o enfrentamento de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) por supostas irregularidades apontadas pelo Ministério Público, que, segundo ele, não deram em nada.
“Foi um momento muito delicado, onde recebi críticas de diversos setores, mas principalmente da imprensa. Houve também brigas internas dentro da minha assessoria, o que de certa forma desestabilizou a administração”, lembra.
João Batista destaca que um dos seus projetos, a construção de um Distrito Industrial localizado próximo ao trevo da cidade de Nepomuceno, às margens da rodovia BR 381, não pode ser realizado durante a sua gestão.

Na opinião do ex-prefeito, o pior fiasco de sua carreira política foi ter se candidatado a deputado estadual em 2002, um ano depois de deixar o comando da prefeitura. “Fui massacrado pelo resultado das urnas, mas acho que paguei todos os meus pecados naquela eleição”, avalia.
João Batista aponta como pessoas importantes na sua trajetória na vida pública a figura da esposa, Maria Lídia, o sogro José Leônidas, o ex-prefeito Silvio Menicucci, o professor Alfredo Scheid Lopes, o ex-reitor da Ufla e ex-ministro da Agricultura Alysson Paulinelli, seu pai João e a mãe Dona Violeta.
Futuro
Para João Batista, Lavras necessita hoje repensar as questões ligadas à mobilidade urbana. Ele acredita ser fundamental valorizar a presença dos pedestres nas ruas. “Precisaríamos criar um ‘calçadão virtual’ através do fechamento de determinados pontos nas ruas e impedir o trânsito em horários preestabelecidos”, diz.

Valorizar a região metropolitana de Lavras também seria outra proposta viável a seu ver. “Contamos hoje com mais de 20 municípios em nosso entorno. Temos hoje 160 mil habitantes nesses municípios, que somados a Lavras, chegam a 270 mil”. Na opinião dele, questões como transporte público intermunicipal, criação de um pólo turístico e melhoria do atendimento médico hospitalar público precisariam ser revistas.
“Não há mais retorno para o crescimento da cidade, por isso se faz necessário pensar o transporte público com um meio eficaz de locomoção da população. Por que não criar um metrô de superfície aproveitando a linha da Ferrovia Centro Atlântica (FCA) que liga toda a região?”, analisa.
Quanto à possibilidade de disputar um cargo público nas eleições do próximo ano, João Batista afirma que caso houver apoio, aceitaria a missão de peito aberto. E declara que já foi procurado por partidos e grupos políticos da cidade.
FONTE JORNAL LAVRAS 24 HORAS